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Fashion in the bag

Fashion in the bag

27
Fev17

O orgulho, a experiência, a razão e o coração

fashion

 (imagem retirada da internet)

 

Passou os dedos pelos móveis empoeirados criando um risco irregular em cada um deles. Pelas frestas das persianas castanhas, o sol lutava para entrar. Vagueou por cada uma das divisões e sentiu o vazio, o silêncio e o frio que as paredes emanavam.

O orgulho soprou-lhe baixinho que era impossível voltar a encher aquela casa com som e calor, porque já não havia espaço, não na casa, mas em si, para esses estados.

Deu mais uma volta, agora com as mãos atrás das costas,  foi-se sentar num cadeirão bem próximo da varanda. A experiência dizia-lhe que era muito arriscado voltar a confiar, que não devia querer, que não o podia fazer.

Olhou em frente para a serra vestida de verde e sentiu-se tão pequena que quase teve medo de cair. Sempre pensou que era uma pessoa racional e era essa razão a dizer-lhe não tinha direito a querer coisas, a deseja-las.

Ela não era má, longe disso, mas a vida... más escolhas, talvez, escolhas necessárias, quem sabe? fizeram-na estar à beira, sempre à beira. Uma promessa de queda que não se realizava, um terreno seguro que estava sempre com vista para a queda e para o abismo. Enrolou uma mecha de cabelo entre os dedos e diminuiu a abertura dos olhos que passaram a ser pequenas fendas. Ouvia os passos das pessoas que viviam, sentiu as imagens dos que já não estavam. Aconchegou a camisola de lã cinzenta e sentou-se mais direita. Ouvia o coração bater, sentia as palavras dentro de si. um murmúrio que de inicio era baixo tornou-se mais forte, mais exaltante. O coração dizia-lhe que tentasse, que tentasse sempre.

24
Fev17

Serei eu quando pensava que não me encontrava...

fashion

 

Não sei quanto tempo aqui estarei

porque almejo por um época alada,

num mundo distante onde serei rei.

Dar-me-ão todas as riquezas,

Aquelas muito distantes das certezas

 

Serei eu quando já pensava que não me encontrava.

Caminharei ao lado do Sol,

Com os pés doridos e cansados.

Serei eu quando já pensava que não me encontrava.

Sorrirei de nada,

Chorarei por tudo,

Serei eu quando já pensava que não me encontrava.

 

Quando disserem que estou louca

Gritarei com mais força,

porque será na loucura

que eu me vou ver

e ter.

 

Serei eu quando já pensava que não me encontrava.

Caminharei ao lado do Sol,

Com os pés doridos e cansados

Serei eu quando já pensava que não me encontrava

Sorrirei de nada,

Chorarei por tudo,

Serei eu quando já pensava que não me encontrava.

 

Espera por mim, aí!

Juntos dançaremos, sem música, porque teremos a nossa.

Não te esqueças de me procurar,

tu sabes o lugar.

 

 

 

 

 

 

 

23
Fev17

A desilusão e as crisálidas

fashion

(imagem retirada da net)

 

 

O que lhe era mais penoso, não era a sensação de ter perdido. A dor maior encontrava-a na desilusão, no pensar da perda. Talvez uma privação de nada, porque na realidade nunca se perde o que não se tem, mas o pensamento engana; ilude, cria pessoas e situações tão reais que descobrir que não o são só pode conduzir ao desencanto.

Uma pessoa desencantada é alguém a quem faltam motivos e forças, mas é também quem encontra dentro de si uma semente de crisálida. Essa semente começa a germinar assim que a terra do desencanto a cobre e a impulsiona a modificar. Nunca há  desilusão sem mudança. A semente(a da mudança) cresce sempre e pode culminar em flores bonitas e frondosas, prontas a oferecerem outras sementes, ou em pequenas plantas raquíticas, reactivas (apenas) sobreviventes.

Arrumou as canetas, na carteira que carregava ao ombro; e seguiu direita, com um nó na garganta, que parecia  a qualquer momento que a ia comprimir e roubar-lhe o pouco ar que ainda sentia, existir em si. - Não vou chorar, pensou ao mesmo tempo que levantava a cabeça. Sentia-se trémula, sem saber por onde ia. Ouvia o barulho dos seus passos, na calçada parda, pressentia o respirar forte e descompassado. Tinha perdido hoje, não sabia se isso seria bom ou não porque muitas vezes perdemos para ganhar, mas sentia que hoje, tinha perdido. Entrou em casa, atirou com os sapatos para longe e enrolou-se no sofá, a noite caiu e o sol acordou cedo.

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