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Fashion in the bag

Fashion in the bag

07
Ago17

The Great Pretender

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Vi recentemente o documentário sobre a vida do vocalista dos Queen e cheguei rapidamente à conclusão de que sabemos muito pouco daqueles que gostamos. Por várias vezes tenho abordado o tema das máscaras do fingimento, de vermos o que queremos e das pessoas mostrarem o que querem mostrar.

Neste caso quem olhava( e continua a olhar) para a figura,  para o artista e a pessoa que foi o Freddie Mercury o que vê é um homem forte, inteligente, cheio de segurança, talvez até um pouco egoísta.  A ideia de quem lidou com ele é um pouco contrária a isso.

O que parece é que, apesar de ser um artista dos mais completos que já conhecemos, tratava-se de um homem frágil, à procura de amor, altruísta, reservado e que como todos apenas queria ser feliz.

Vale a pena recordar, o homem, o artista e o ser humano que foi Freddie.

31
Jul17

Na alma ninguém manda...

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Ela revirava os olhos cansada da mesma conversa. As pessoas tinham por hábito dizer-lhe constantemente o que fazer. Já não as ouvia, o seu pensamento estava disperso e as palavras assemelhavam-se as asas que a faziam voar. Podiam tentar mandar nela, faze-la sentir culpada, mas a sua alma era indomável e voava para longe, estava muito acima das amarras que lhe queriam colocar.

Na verdade as almas são como cavalos selvagens que cavalgam pelo vento e relincham ao luar, não há quem as prenda.

Inventou uma desculpa, levantou-se à pressa e encaminhou-se para a praia. Tirou os sapatos na areia e correu para água agitada que hoje o mar lhe oferecia.

Na alma ninguém manda.

29
Jul17

Tudo passa...

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Tudo passa — sofrimento, dor, sangue, fome, peste.
A espada também passará, mas as estrelas ainda
permanecerão quando as sombras de nossa presença
e nossos feitos se tiverem desvanecido da Terra. Não
há homem que não saiba disso. Por que então não
voltamos nossos olhos para as estrelas? Por quê?


MIKHAIL BULGAKOV, O exército branco

24
Jul17

As mortes não físicas

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(imagem retirada da net)

 

 

 

O vento tocava-lhe na cara primeiro levemente, mas aos poucos como um gigante voraz cresce a sua passagem e toque quase lhe provoca dor. Não se lembrava há quanto tempo estava ali, sentada naquela pedra e limitava-se a ser açoitada e mexida por aquele vento que se tornara impiedoso. Percebia que tinha havido nela uma quebra e vivia uma forma de luto conceptual. Não havia uma morte real, física, mas havia uma morte conceptual daquelas em que as perdas são mais profundas e dolorosas. Não sabia indicar um dia exacto, desconhecia uma situação em concreto, no entanto a perda percorria-lhe cada centímetro de ser e mostrava-lhe o quão enganada tinha estado. Olhava o pequeno lago agitado, a água em movimento e deixava-se estar quieta e aconchegada no casacão azul, que tinha agarrado quando sairia. Era difícil explicar o que sentia, revia imagens, momentos, situações e percebia claramente que tinha de se afastar. Sentia a garganta a apertar-se impedindo um soluço, uma lágrima, talvez um grito. As perdas... toda a sua vida visitada por perdas. Aconchegou-se em cima da pedra fria e viu, ao longe uma árvore que dançava, escutou em si o riso de uma criança e sentiu o afago do abraço que o seu pai sempre lhe deu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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