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Fashion in the bag

Fashion in the bag

14
Ago17

As árvores em luta com o vento

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Arrastou os pés pelo chão junto à porta da cozinha. Parou como quem procura algo sem saber. Os dias dela pautavam-se por lutas onde as armas não se viam. Os seus dias, os dias dela, eram preenchidos por procuras inquietantes, em caminhos que muitas vezes desembocavam no nada. Estava em guerra, com ela, com o mundo, com aqueles a quem ela jurara fidelidade e dedicação. Nesta luta havia mortes e para ela sobreviver tinha de matar. Não se tratavam, contudo de mortes físicas e as armas eram interiores, mas nem por isso deixavam de ser mortais. Estava pior, pensou. Não, não estava, voltou a pensar. Acabara o mundo de faz de conta, onde as pessoas não eram como ela as imaginava, acabara a ilusão que lhe roubava a lucidez. Via claro, agora, como se de repente lhe tivessem devolvido a visão que a vida lhe tinha saqueado. A transparência trazia-lhe, consequentemente, a dor e era essa que seria a sua companheira até que um dia a memória se tornasse difusa, de tal forma que não soubesse distinguir o real do que era. Pegou num copo de água e olhou para a serra que se estendia para lá da janela.Viu o verde emaranhado pelo vento que soprava, sentiu a calma da solidão.

07
Ago17

The Great Pretender

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Vi recentemente o documentário sobre a vida do vocalista dos Queen e cheguei rapidamente à conclusão de que sabemos muito pouco daqueles que gostamos. Por várias vezes tenho abordado o tema das máscaras do fingimento, de vermos o que queremos e das pessoas mostrarem o que querem mostrar.

Neste caso quem olhava( e continua a olhar) para a figura,  para o artista e a pessoa que foi o Freddie Mercury o que vê é um homem forte, inteligente, cheio de segurança, talvez até um pouco egoísta.  A ideia de quem lidou com ele é um pouco contrária a isso.

O que parece é que, apesar de ser um artista dos mais completos que já conhecemos, tratava-se de um homem frágil, à procura de amor, altruísta, reservado e que como todos apenas queria ser feliz.

Vale a pena recordar, o homem, o artista e o ser humano que foi Freddie.

31
Jul17

Na alma ninguém manda...

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Ela revirava os olhos cansada da mesma conversa. As pessoas tinham por hábito dizer-lhe constantemente o que fazer. Já não as ouvia, o seu pensamento estava disperso e as palavras assemelhavam-se as asas que a faziam voar. Podiam tentar mandar nela, faze-la sentir culpada, mas a sua alma era indomável e voava para longe, estava muito acima das amarras que lhe queriam colocar.

Na verdade as almas são como cavalos selvagens que cavalgam pelo vento e relincham ao luar, não há quem as prenda.

Inventou uma desculpa, levantou-se à pressa e encaminhou-se para a praia. Tirou os sapatos na areia e correu para água agitada que hoje o mar lhe oferecia.

Na alma ninguém manda.

29
Jul17

Tudo passa...

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Tudo passa — sofrimento, dor, sangue, fome, peste.
A espada também passará, mas as estrelas ainda
permanecerão quando as sombras de nossa presença
e nossos feitos se tiverem desvanecido da Terra. Não
há homem que não saiba disso. Por que então não
voltamos nossos olhos para as estrelas? Por quê?


MIKHAIL BULGAKOV, O exército branco

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