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Fashion in the bag

Fashion in the bag

24
Mar17

Wild Tales

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Este não é um filme comum. São seis histórias num filme. E as histórias não são de desejos invulgares ou ficcionados, mas dizem respeito a raivas, desejos e frustrações com que todos vamos lidando no quotidiano. Quem não desejou que todos os seus inimigos desaparecessem? Quem não assistiu a verdadeiras guerras no trânsito que mais parecem, dada a intensidade, enormes crimes passionais? E descobrir que se ama a pessoa apenas depois de ambos viverem situações limite? Acuse-se aquele que não viveu ou conhece situações de multas que foram passadas e que levam muitas vezes, pela injustiça, a que as pessoas se sintam com raiva e perdidas? Como se percebe, pelo que escrevi, tudo situações comuns e que nos fazem pensar de uma forma mais reflexiva sobre princípios, valores, sentimentos e também sobre o rumo(s) que o mundo segue.  O filme ganhou vários prémios, mas não é por isso que aconselho a que vejam. Penso que a mais valia de o ver é o pensar, profundamente, em várias questões e posições que tomamos enquanto seres sociais.

21
Fev17

O casaco do avesso

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Tinha tudo decidido e tão bem delineado. Acabou de arrumar a cozinha, regou as plantas da Sala(uma orquídea e uma violeta) e sentou-se com uma chávena de chá quente nas mãos. Olhou os livros arrumados, o tapete felpudo e viu-se a viajar para abraçar o seu novo trabalho. Suspirou, o gato passou e enrolou-se-lhe nas pernas. Levantou-se e o fio do telefone enrolou-se nos pés. Nunca mais conseguiu andar. Pensava naquele dia, mas estava numa sala comprida, branca e com pessoas à volta, muitas pessoas. Ouviam-na contar que estava feliz, ouvia-se a si própria dizer que estava feliz. Custava-lhe a acreditar,mas estava. Não tinha feito aquela viagem, já não tinha o tapete felpudo, mas tinha desenvolvido a arte da oratória e dizia aos outros que a vida é como um casaco. Quando o  compramos, está direitinho e imaginamos os passeios e o aconchego que vamos sentir ao vesti-lo. Mas um pequeno rasgão faz com que o casaco tenha de ser colocado do avesso. A vida tantas vezes só faz sentido quando está do avesso, quando olhamos para as nervuras do tecido e percebemos que são caminhos que temos de andar. Quantas e quantas vezes o tecido interior é mais bonito do que o exterior? A vida é percebermos que podemos sempre ser felizes com o avesso e que, por vezes, isso é mesmo o que necessitamos.

Despediu-se de todos e empurrou as rodas da cadeira até ao carro. Estava cansada e feliz. O casaco estava do avesso, o lado certo.

13
Fev17

Tantas e tantas metamorfoses

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Sente o barulho da chuva que aperta o vidro da janela e as pedras da calçada. O som é igual a moedas de prata quando caem no chão. Suspira, entediada, ao mesmo tempo que sente as pernas mexerem-se à procura de outra posição.

Na mão tem um livro grande com capa castanha e letras douradas e o desenho de uma borboleta azul de ar cândido e alado. Lê sofregamente cada uma das páginas, os olhos caminham pelas letras ávidos de respostas e de conhecimento, mas quanto mais procura mais longe parece estar do fim. É difícil perceber que na maioria das vezes o fim é sempre um e outro recomeço.

 Mexe-se, uma vez mais, pousa o livro no chão e puxa para si a manta castanha que descansava ao lado do banco.  Pousa por um instante os olhos, na chuva que mansamente desliza pelo vidro e parece-lhe ver uma borboleta por entre os pingos de chuva. Esfrega os olhos, olha de novo, mas não consegue encontrar o que tanto queria.

Os olhos materializaram a sua leitura, pensa e respira fundo. Puxa o livro, mas não lê. Pensa apenas que nunca seria possível que as borboletas existissem se elas não passassem por longas e penosas metamorfoses. A maior beleza que existe numa borboleta é a sua mensagem de luta e a constatação de que à larva rastejante e menor sucede um ser brilhante, iluminado e com asas. Imagina o quão dolorosa é essa passagem, sente os músculos contraírem-se, sente suor e percebe que ela é a borboleta que esvoaçava entre os pingos de chuva.

08
Fev17

A caminhada do sonho e da realidade

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 (imagem retirada da internet)

 

 

Saiu de casa quando o sol já arrumara as malas e esperava que a lua o substituísse na difícil tarefa de transformar a penumbra em luz.

Fechou a porta com força, atrás das costas, e apressada desceu as escadas que, naquele dia, pareciam ter diminuído tal a pressa com que as calcava. Precisava respirar, sentir na pele a certeza que ainda vivia. Meteu as mãos nos bolsos e encolheu os ombros. As poucas pessoas que vagueavam pelas ruas dirigiam-se, apressadamente, para casa e davam por finalizado mais um dia, mais uma rotina, que nunca se sabia se era uma constituinte de si ou apenas uma obrigação penosa e muitas vezes desestruturante da própria pessoa. Os passos começaram a estreitar e aos poucos começou vagarosamente a arrastar os pés pelo empedrado irregular da calçada. Sentia dores nos pés, mas mesmo assim teimava em continuar como se quisesse incutir em si uma forma de punição por algo que tinha feito e que não sabia. Pensava em todos os dias em que apertara a realidade e se deixara guiar por ela, remoía, também, em todas as vezes que matara essa realidade e seguia apenas o que sentia. Nesses dias nascia, uma e outra vez, nos outros morria. Há tantas mortes dentro de uma vida. Um espesso nevoeiro bailava-lhe sobre os olhos e envolvia-lhe, agora a cabeça. Era um cenário misterioso dando a sensação que ela flutuava ao invés de andar. Nesse envolvimento caminhavam, lado a lado, a realidade e a sonho. Não voltou para casa, nesse dia...

02
Fev17

Bolinhas de sabão...

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O dia amanheceu com um hálito fumegante, aqui e ali os pequenos pingos de água tinham-se transformado em brincos de Cristal. Ela caminhava pela rua de casaco apertado e nas mãos umas luvas de pele castanha. Gostava de olhar para as mãos quando estavam de luvas. Ficavam mais elegantes e esguias.

No calcorreio das ruas, entre árvores e casas, esvoaçavam as folhas e os cheiros.Os sons misturavam-se com as cores e com bolas de sabão que um petiz insistentemente soltava da pequena garrafa azul. Passavam por mim, por vezes de forma isolada, outras agrupadas e acabavam por fenecer contra a calçada parda e rugosa.

Enamorei-me delas e olhei-as como alguém contempla o ser por quem está enamorado: com ternura, curiosidade e espanto. Em cada bolinha translúcida e frágil vi pequenas memórias, descobri pessoas, encontrei todos os dias em que morri e igualmente todos os que nasci.

Olhei para relógios parados e relógios que andavam tão rápido que os ponteiros pareciam querer voar. Assustei-me com as coisas que quis fazer e não fui capaz, não por medo, mas porque talvez não as desejasse assim tanto.

Nas bolinhas de sabão estavam os rostos ternos de quem sempre amei, as mãos que me penteavam o cabelo e as vozes cálidas nos dias longos de praia. Nas bolinhas de sabão que passavam uma, a uma, diante dos meus olhos estavam tantos sonhos e vidas, tantos nasceres e morreres que nem consegui contá-los. Fechei os olhos e as pequenas bolas continuavam esvoaçantes, perdidas no meio das casas e dos caminhos, mas livres e cheias de tanto que nem consigo contar...

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