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Fashion in the bag

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09
Mai17

Virgínia Wolf

fashion

A primeira vez que li um livro de Virgínia Wolf, Orlando, fiquei desconcertada e incrédula com a forma da sua escrita. Senti profundidade, sentimento, percorreu-me uma sensação de desnudamento em relação ao ser humano e o que o percorre interiormente. Custou-me ler, em alguns momentos tive de parar, tive até de pensar se o que lia me fazia bem, mas persistia sentido uma admiração crescente por quem tinha escrito aquelas linhas, mas, sobre tudo pelo interior do ser que tinha sido capaz de sentir e de escrever assim. Na altura desconhecia os problemas que ela tinha tido e não imaginava o suicídio.

Quando soube não me admirei porque alguém que atinge uma profundidade de pensamento como o dela  dificilmente consegue viver neste mundo. Alguém assim coloca-me dúvidas sobre se alguma vez viveu no mesmo plano que eu. Mesmo estando doente foi alguém extraordinariamente inteligente, altruísta, profundo e como desmesurada capacidade de amar.

Passam esta semana anos sobre a sua morte e nada melhor do que uma homenagem e uma transcrição da sua carta de despedida, para o marido.

 

 

 

 

Meu Muito Querido:
Tenho a certeza de que estou novamente enlouquecendo: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Estou começando a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.
Deste-me a maior felicidade possível. Foste em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia ser. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou destruindo a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser. Não consigo ler.
O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Foste inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom.
Quero dizer isso — toda a gente o sabe. Se alguém me pudesse ter salvo, esse alguém terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar a estragar a tua vida.
Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes do que nós fomos.
V.”

 

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