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Fashion in the bag

Fashion in the bag

29
Dez19

Festejar um ano mau

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Tenho o péssimo hábito de desvalorizar as mudanças e as coisas novas. As coisas "velhas", conhecidas e a que me habituo são as melhores do mundo, em detrimento das novas. Não interessa se parecem promissoras, melhores até do que as que já tenho, mas são novas, não prestam. Há pessoas que me vão conhecendo e sabendo desta minha incapacidade de aceitar a novidade adotam uma postura de Jó ou de Santo Antão e desafiam-me. A princípio digo sempre que não, mas depois acabo, com relutância, por experimentar e... gostar. 

Esta questão também tem a ver com as pessoas que conheço, de novo. No início nunca quero fazer nada, olho de lado com desconfiança, mas depois acabo por aceitar a maioria das pessoas que conheço, como amigos. 

O mesmo sucedeu com alguns colegas de uma aula de artes que frequentei. Eram todos de teatro, "malucos", dionisíacos e "fora da caixa". No primeiro dia a minha ideia foi: "não ponho lá mais os pés. Aulas de Artes performativas, com gente do teatro, eu não"! Mas fui indo, indo até ao final do semestre. Descobri pessoas maravilhosas. Tão maravilhosas que hoje recebi um convite, de uma delas, para o seu aniversário amanhã.

Emocionei-me. Mas a emoção não veio do convite, em si, mas a roupagem do convite. Num texto  poético e leve, a A. explica que convida os amigos porque este ano reúne todas as condições  para que se efective a comemoração do seu aniversário. Justifica(agora vem a parte surpreendente), que tem motivos para comemorar porque foi o pior ano da sua vida. Continua, esclarecendo que passou por um dilúvio, por dias de chuva e frio e que, ainda assim, não se afogou. Não tem motivos para estar triste e quer, com toda a força, festejar a Vida. 

Amanhã, A., não estarei contigo, mas festejarei a vida e o privilégio que tive em conhecer-te. 

14
Dez19

Desejos e fins de ano

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 Com um ano prestes  a terminar,  a inevitabilidade do balanço e dos desejos persegue-nos.

Não que os balanços  não se façam todos os dias e os desejos não persigam os nossos passos desde que acordamos. Mas o fim do ano, tem qualquer coisa de nostálgico, ao mesmo tempo promissor. O mesmo se passa com as palavras que escolhemos para caracterizar o fim de ano. 

Parece uma contradição isso que junta o balanço aos desejos. Uma análise atenta à etimologia da palavra revela-nos, no entanto, que a  palavra balanço encerra no seu amago a significação de um movimento oscilatório entre o que vai e o que vem, mas também o solavanco. O desejo completa o balanço na medida em que significa (etimologicamente)  esse querer "  fixar as estrelas". E seguir o desejo é seguir a estrela. O solavanco causado pelo balanço impele-nos a perseguir a "boa estrela".

Um ano acaba, outro começa, num movimento que quase eterniza o retomar. Mas o que retorna é sempre diferente, nós somos diferentes. Confesso a minha descrença em relação a uma repetição total nos retornos de Sísifo. Em cada repetição Sísifo retorna diferente porque até no absurdo há desejos, nem que seja o desejar não retornar. 

Acabo o ano com desejos, perseguindo as estrelas e acreditando que o que desejamos pode não estar apenas no céu.

03
Nov19

ALICE E O COELHO BRANCO

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"Amas-me? Perguntou Alice.
Não, não te amo! Respondeu o Coelho Branco.
Alice franziu a testa e juntou as mãos como fazia sempre que se sentia ferida.
Vês? Retorquiu o Coelho Branco.
Agora vais começar a perguntar-te o que te torna tão imperfeita e o que fizeste de mal para que eu não consiga amar-te pelo menos um pouco.
Sabes, é por esta razão que não te posso amar. Nem sempre serás amada Alice, haverá dias em que os outros estarão cansados e aborrecidos com a vida, terão a cabeça nas nuvens e irão magoar-te.
Porque as pessoas são assim, de algum modo sempre acabam por ferir os sentimentos uns dos outros, seja por descuido, incompreensão ou conflitos consigo mesmos.
Se tu não te amares, ao menos um pouco, se não crias uma couraça de amor próprio e de felicidade ao redor do teu Coração, os débeis dissabores causados pelos outros tornar-se-ão letais e destruir-te-ão.
A primeira vez que te vi fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te até aprenderes a amar-te a ti mesma!"

24
Ago19

«...É preciso Nascer e Morrer de Novo.»

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Geme o restolho, triste e solitário
A embalar a noite escura e fria
E a perder-se no olhar da ventania
Que canta ao tom do velho campan'rio
Geme o restolho, preso de saudade
Esquecido, enlouquecido, dominado
Escondido entre as sombras do montado
Sem forças e sem cor e sem vontade
Geme o restolho, a transpirar de chuva
Nos campos que a ceifeira mutilou
Dormindo em velhos sonhos que sonhou
Na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
Semear no pó e voltar a colher
Há que ser trigo, depois ser restolho
Há que penar para aprender a viver
E a vida não é existir sem mais nada
A vida não é dia sim, dia não
É feita em cada entrega alucinada
P'ra receber daquilo que aumenta o coração
Geme o restolho, a transpirar de chuva
Nos campos que a ceifeira mutilou
Dormindo em velhos sonhos que sonhou
Na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
Semear no pó e voltar a colher
Há que ser trigo, depois ser restolho
Há que penar para aprender a viver
E a vida não é existir sem mais nada
A vida não é dia sim, dia não
É feita em cada entrega alucinada
P'ra receber daquilo que aumenta o coração
 
Mafalda Veiga
 

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