Ideias para a semana
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Já aqui falei várias vezes que acompanho a minha mãe na longa caminhada de recuperação de um A.V.C.
Passaram quase oito meses e quando olho para trás quase não sinto o sofrimento que envolveu todo este processo. Só consigo, no momento, sentir o que se passa hoje. Claro que temos( ela e eu) o acumulado de todo o percurso mas vivemos o dia-a-dia.
Esta semana foi particularmente difícil porque para além de uma queda que ela sofreu(que parece ser comum quando começam a andar) vi a cara de dois médicos que acham pouco provável que ela recupere mais do que já recuperou. A minha primeira reacção foi ficar desanimada e pensar que todo o esforço foi em vão. Sentei-me na sala de espera da fisioterapia e apeteceu-me fugir dali, gritar, revoltar-me e fazer sei lá o quê... Aos poucos a sala foi ficando cheia e em cada cadeira ouvia histórias de pessoas que apesar de todos os "nãos" que ouviram continuaram a lutar e a acreditar que não iriam ficar confinadas, para sempre, a uma cadeira de rodas. Pensei que não era justo desistir ou acomodar-me. A minha mãe precisa de mim e precisa que eu acredite. Por muito difícil que possa ser eu acredito que ela há-de voltar a andar e que vai deixar a cadeira de rodas. Há semanas difíceis como há semanas de temporal em que nem vemos o sol mas, um dia, ele volta a brilhar.
Apesar de não ser um filme com uma história inesperada tem a capacidade de nos fazer pensar sobre o valor da vida e aquilo que nos prende a ela. Valerá a pena continuar quando tudo aquilo em que acreditamos se desfaz num acidente de carro? Esta será uma das perguntas que fica no ar.
Quantas vezes não somos confrontados com esta pergunta ao longo das nossas vidas? O filme é interessante, segundo o meu ponto de vista, por essa razão. Faz-nos questionar uma data de coisas que temos ou tomamos por certas e leva-nos a pensar o que, de facto, nos prende à vida.