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Fashion in the bag

Fashion in the bag

05
Set16

Sapatos apertados e que não servem...

fashion

um.jpg

 

O charco de água devolvia a imagem de alguém que hesitava em atravessar para o outro lado, os sapatos pretos e elegantes estavam parados mesmo à beira da água.  Passou as mãos pelo cabelo e manteve-se quieta sem saber se havia, ou não, de saltar por cima da água e continuar o caminho. Ao longe uma figura feminina acercava-se, era alta, esguia e à medida que se aproximava enchia o espaço de aroma, alegria e de uma enorme paz. Olhou-lhe para os pés, e estremeceu quando viu uns chinelos, castanhos, de lã e que ameaçavam, a todo o momento rasgar-se.

Não pode deixar de sentir uma certa alegria. Uma mulher tão bonita, elegante com um chinelos velhos: pensou para si. Enganou-se a si mesma pensando, por um momento, que era muito melhor que a outra porque tinha uns sapatos elegantes, que não saiam do mesmo sítio.

Indiferente a este tipo de pensamento a mulher esguia, de sorriso na alma, perguntou-lhe se precisava de ajuda para atravessar. Conversou com ela, longamente, e ajudou-a, a vir para junto de si.  A hesitante não conseguia dizer nada porque a vergonha pela inveja e a satisfação causada pelo pensamento dos chinelos pesava-lhe, como um saco carregado de chumbo.

Tirou os sapatos,vagarosamente, e ofereceu-os à sua recente amiga.

Ela sorriu e contente tentou calça-los, mas por muito que tentasse estes não lhe serviam. Os seus pés eram diferentes, tinham caminhado muito, estavam cansados de sapatos elegantes e desconfortáveis. Queriam apenas uns chinelos, largos e quase rotos que lhe permitiam caminhar com convicção e paz. Os sapatos não serviam porque a forma dos pés, o caminho que tinham percorrido e as escolhas eram diferentes. Ela devolveu os sapatos nunca deixando apagar o sorriso. Continuou o caminho, com os chinelos e, por onde quer que passasse tudo se enchia de brilho e serenidade.

A hesitante olhou para o charco, que já tinha saltado, e percebeu que os sapatos são como a e que as formas são todas diferentes. Ninguém consegue calçar e sentir-se bem com aquilo que não serve, as feridas causadas por quem tenta  faze-lo são muito dolorosas.

Apanhou uma pequena pedra, que fez cantar no charco, e por ali ficou até que o céu apagou a lanterna.

03
Set16

Moon River

fashion

 

Moon river, wider than a mile

I'm crossing you in style some day

Oh, dream maker, you heart breaker

Wherever you're going

I'm going your way


Two drifters, off to see the world

There's such a lot of world to see

We're after the same rainbow's end

waiting, round the bend

My Huckleberry friend

Moon River, and me


Moon river, wider than a mile

I'm crossing you in style some day

Oh, dream maker, you heart breaker

Wherever you're going

I'm going your way


Two drifters, off to see the world

There's such a lot of world to see

We're after the same rainbow's end

waiting, around the bend

My Huckleberry friend

Moon River, and me

02
Set16

Frida e a benção da vida...

fashion

frida.jpg

 

Penso que foi há mais ou menos dez anos que uma exibição de obras de Frida Kahlo esteve no CCB. Na altura pouco ou nada conhecia da obra, mas posso dizer que foi sem dúvida as exposições que mais me impressionaram até hoje. Recordo que na altura fiquei bastante perturbada(pela sensação causada, mas também pela grandiosidade do que estava ali)  não me apetecia sair de lá, ao mesmo tempo que tinha um ímpeto para chorar compulsivamente.

Fui três vezes visitar aquela mostra e de cada vez que ia surpreendia-me, sempre.  Muita gente a tentou inserir no movimento surrealista, mas eu percebi, logo na primeira vez que pus os olhos num quadro dela, que o que estava ali era, simplesmente a realidade. Ela própria o afirmou.

Não quero contar a história de Frida, porque é mais ou menos conhecida de todos, mas lembrei-me de que, por vezes, passamos a vida a queixarmo-nos que a vida é dura, é complicada,  que estamos fartos, de que somos gordos/magros.... Não paramos, um minuto para olhar que há vidas bem piores e que, mesmo assim, as pessoas utilizam esse "pior" para fazem o melhor.

Frida foi um enorme ser humano, alguém a quem um acidente ensinou que é possível criar através de uma cama, viver com a dor(de alma e de corpo) e encontrar forças onde elas não existem.

Entre um corpo em decadência e um amor que lhe foge, constantemente, ela encontra na tela o seu propósito de vida e a sua forma de mostrar que é possível, contra tudo, lutar e viver. Hoje lembrei-me muito da Frida... Há muitas Fridas por aí...

01
Set16

Vida aberta, livro fechado?

fashion

book.jpg

 

 

 

Tinha uma amiga que sabia de trás para a frente as falas de filmes, principalmente dos portugueses(antigos). Ficava quieta a ouvi-la e sentia-me, a reviver aqueles tempos e aquelas histórias. Adorava quando ela fazia isso. Eu, pelo contrário, por muito que visse filmes nunca havia frases que eu retivesse. Guardava conceitos, sensações, reflexões(que por vezes duravam dias), mas nunca frases. Muitas vezes pensei que devia ter problemas de memória ou então que era distraída.  Tempos houve em que me senti triste com isso. 

Hoje,sem nenhuma razão concreta, dei por mim a pensar que afinal, houve uma frase que guardei, durante anos, e que nunca contei a ninguém. Para dizer qual é tenho de situar um pouco o assunto: um dos  protagonistas do filme adorava livros e muitas vezes rejeitava as relações humanas em detrimento dos livros. Nunca ninguém se questionara sobre esta predilecção, até que uma namorada lhe disse ter descoberto o porquê deste gosto. Diz-lhe ela que: - O livro pode ser fechado quando se quer, já a vida não. Esta é a frase que eu guardei.

Talvez esta ficasse cá, por duas razões, a primeira porque de certa maneira concordo que é isso mesmo, que a vida difere em parte, do livro. Por outro lado discordo veemente desta ideia. Um livro pode ser fechado fisicamente, mas quando é bom nunca fica encerrado. Há livros e Estórias que nos perseguem durante dias, semanas, anos e, até, a vida toda. Não conseguimos parar as estórias dos livros(mesmo que os fechemos) assim como não conseguimos parar a vida, enquanto é vida. Mesmo que ao longo das vivências haja vários fechos, várias interrupções, a vida flui e segue. Hoje decidi que vou alterar a frase e guardá-la de outra forma: O livro tal como a vida, só se fecha quando todas as estórias foram, de facto, vividas!!

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