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Fashion in the bag

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19
Out16

Aracne, A comparação, A aranha

fashion

 D. Velázquez - Las hilanderas

 

A Sala estava cheia. Entrei, olhei ao redor, à procura de Aracne e fui encontrá-la sentada no tear. Acenei-lhe e ela fez-me um pequeno sorriso. Aracne sempre fora muito bela e dedicara-se, desde muito jovem, ao trabalho da fiação. Era delicada e tudo o que fazia era de tal forma belo que todos admiravam o seu trabalho. Aracne era uma artista no tear, tudo o que fazia tornava-se numa obra de arte. Continuei a andar, por entre as outras fiadeiras, sentei-me num pequeno banco de madeira, de três pés, que estava perto de Aracne. Ela estava de tal forma concentrada que nem vira que estava próxima dela. Passado um pouco de tempo, falei-lhe, cumprimentei-a e ela pediu-me desculpa. Explicou-me que tinha feito um manto para um rei e que este lhe tinha dito que melhor que ela(na fiação) só a deusa Atena. Ela ficou aborrecida, começou a comparar-se com Atena e pediu-lhe um desafio para saber qual delas era a melhor.

Aborreci-me com ela, disse-lhe que não devia ter feito isso, fi-la perceber que não tinha necessidade de fazer comparações porque tudo o que fazia era belo e único. Ela baixou a cabeça, fazia sempre isso quando sabia que eu tinha razão.

Entretanto Atena chegou, com uma túnica de um azul celeste, com a cara emproada e a voz irónica. Sentou-se perto de Aracne e começaram ambas a fiar, um ritmo alucinante, alucinado, o tecido crescia e não se conseguia dizer qual era o mais bonito. Atena irritou-se, era uma Deusa muito caprichosa, parou e disse-lhe que ela tecia bem, mas que nunca ninguém iria dizer que ela fazia coisas mais bonitas que ela, porque era uma Deusa. Perguntou-lhe se ela queria mesmo ser a melhor fiadeira. Aracne animou-se e gritou que sim. Ainda tentei evitar, disse que gostava muito mais da peça feita por Aracne, mas nada adiantou. Atena já tinha transformado Aracne em aranha e dera-lhe o título da maior fiadeira de todos os tempos. Fiquei muito triste e nunca mais consegui estar com Aracne. A necessidade de comparação e de ser melhor tinha-lhe tirado tudo o que de mais belo, poético e humano ela possuía  e que era a sua humildade, a sua verdade e a sua unicidade. Esses eram os fios que se cruzavam com os outros e que conferiam, a tudo o que ela fazia, uma beleza infindável.

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