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Fashion in the bag

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26
Out16

Anel de Gyges

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Há muitos anos li a República de Platão. Posso dizer-vos que ler aquele livro, com vinte anos, proporciona uma sensação de poder e de medo que penso nunca mais ter sentido com nenhum outro livro. Há tanta coisa ali que desconstrói as nossas certezas que nunca mais deixei de pensar no que li.

Um dos mitos contados por Platão, nesse livro, é o do anel de Gyges. Em traços gerais Gyges era um pastor que descobriu, num dia de tempestade, um cadáver que tinha um anel de ouro. Gyges tira o anel do cadáver e compreende, mais tarde, que quando vira o anel se torna invisível. O que é espantoso não é apenas este facto, mas o que Platão faz com ele. O que ele tenta é fazer-nos pensar sobre o que faríamos se, por alguma razão, tivéssemos o poder de Gyges. Como seriam os nossos comportamentos, as nossas acções, os nossos sentimentos? Se pudéssemos ser invisíveis quando quiséssemos, faríamos tudo da mesma forma???

25
Out16

Perséfone, Hades e a felicidade em cada um dos mundos

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 Num daqueles dias em que no céu há muitas arrumações estava eu sentada num banco de jardim; daqueles de madeira, pintados de verde, quando vi passar a Deusa Perséfone com um belo ramo de acácias. Acenei-lhe, mas ela não me viu, estava encantada com as flores. A sua beleza era de tal forma contagiante que era impossível não olhá-la demoradamente. Deixei-me ficar, segui-lhe os passos com o olhar e admirei-a como com admira uma estátua. Hades passou a correr, foi ao encontro de Perséfone e não tardou a arrastá-la para o seu mundo. Fiquei aflita não tinha ajudado Perséfone  e não sabia a quem recorrer. Perguntei  às ninfas pelos amigos, pela família mas nada me disseram. Foi estranho aquele pensamento da presença e do desaparecimento, mas sabia que do mundo subterrâneo ninguém voltava. Soube, mais tarde, que Deméter era sua mãe e que tinha passado um período de tristeza e de vazio com a falta de Perséfone. Quando descobriu onde estava a filha desceu ao Hades e quis traze-la, mas ela já tinha comido seis grãos de romã. Chorou muito porque isso significava que Perséfone não tinha rejeitado totalmente o mundo subterrâneo e que devia permanecer lá. Zeus que tudo via, observou a tristeza de Deméter e encontrou uma forma de contentar todos:  Perséfone estaria perto de Hades uma metade do ano e a outra metade estaria com os seus pais. Quando voltei a encontrar Perséfone, era Primavera, estava sorridente explicou-me que enquanto ela estava no Hades os campos estavam em descanso, mas assim que ela voltava tudo se enchia de flores e de sementes. A sua presença trazia vida e cor e mesmo perto de Hades, onde tudo era escuro, ela conseguia ser feliz e faze-lo feliz.

- É preciso olhar e descobrir, mesmo no mundo mais tenebroso,o que nos faz feliz, disse-me a sorrir.

24
Out16

Na minha mente com pés sujos

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Ele estava sentado em cima de uma grande pedra de xisto preto, vestia um casaco com xadrezes azuis e beges e, na cabeça, um boné do mesmo tecido do casaco. Era magro e o rosto desenhado pela magreza conferia-lhe um ar triste e pesaroso. Tinha uma pequena pedra na mão de que se servia para fazer riscos na pedra em que se sentara. Ao longe o mar, marcava compassadamente o tempo com os seus batimentos revoltosos e fortes. Apertou melhor o casaco e abandonou a pedra, no meio das ervas que por ali cresciam. Olhou para o azul da água, suspirou e abandonou-se a si próprio...

Dentro de si uma espiral de ideias e frases soltas enchiam-lhe a cabeça. Imaginava que várias pessoas, conhecidas, ou não, vagueavam dentro de si, vestiam o seu pensamento. Algumas atirava-lhe pétalas de flores, outras palavras, algumas até sorrisos, outras ofereciam-lhe vozes pesadas, algumas silêncios com olhares sussurrantes. Todas elas desfilavam em si, algumas tinha convidado para entrar, outras apareciam sem ser convidadas e permaneciam mais tempo do que ele queria. Viviam lá todas, dentro de si..

Aprendeu a viver com todos esses habitantes, secretos, e com todos, de uma maneira ou de outra, bebia conhecimento e aprendizagem. Assim percebeu que eles acabavam por fazer parte de si e que ele era o resultado de todos eles, pelo menos o seu conhecimento, era a síntese de tudo isso. Não o espantou este pensamento, ao invés, deixou-o feliz a descoberta e a conclusão.

O que  era incompreensível, para si, era a forma que cada um escolhia para entrar e para caminhar nos outros. Alguns vinham com os pés sujos, muito sujos e por onde passavam impregnavam sujidade e negrume. Era difícil que uma vassoura conseguisse varrer e mais complicado era limpar, de vez, aquela presença ou aquela passagem.

Nunca ninguém devia visitar os outros com pés sujos, pensou...

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