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Fashion in the bag

Fashion in the bag

22
Out17

Desafio: "Já Fiz/nunca fiz"

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A minha querida  Miss queer  desafiou-me e eu não posso dizer que não a uma moça tão simpática. Vamos lá!!

 

eu nunca fiz um interail- não

 

eu já participei num concurso- já! Num de beleza(que vergonha).

 

eu nunca conheci a pessoa que mais admiro-  Tenho uma sorte enorme: conheci e privei com quem mais admirava.

 

eu já caí na rua- Uii. Muitas e muitas vezes.

 

eu nunca desmaiei- Não.

 

eu nunca estive em coma alcoólico- Quase, mas não.

 

eu já experimentei drogas- Não.

 

eu nunca me vinguei de alguém que me fez mal- Acho que não. Mas penso sempre nisso! Portanto, pensando em Kant e na bíblia, houve vingança.

 

eu nunca tive um acidente- Já!

 

eu já andei de avião- Sim e adoro!!

 

eu já bebi demais- Não foi bem beber demais... estava era com álcool a menos...

 

eu já confundi uma pessoa com outra- Já!!

 

eu já me perdi num país/cidade estrangeira- Sim.Tenho péssimo sentido de orientação.

 

eu não sei se tive uma experiência paranormal- Que me lembre, não... mas há coisas que me acontecem que parecem paranormais.

 

eu já roubei- Intencionalmente não, mas já aconteceu passar nas caixas do supermercado com coisas na mão.Uma vez foi um manjerico :)

 

eu nunca apaguei coisas do facebook por ter poucos likes- Detesto facebook. Não apago nem coloco.

 

eu nunca traí ninguém- Tínhamos de analisar o que se entende por traição...

 

eu nunca deixei de falar com alguém que me magoou- Já.

 

não sei quem já respondeu e quem ainda não. Mas vá, desafio o Paciente Impaciente, o HD e a D.

 

10
Out17

Saí...

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Saí do comboio,

Saí do comboio,

Disse adeus ao companheiro de viagem

Tínhamos estado dezoito horas juntos..

A conversa agradável

A fraternidade da viagem.

Tive pena de sair do comboio, de o deixar.

Amigo casual cujo nome nunca soube.

Meus olhos, senti-os, marejaram-se de lágrimas...

Toda despedida é uma morte...

Sim toda despedida é uma morte.

Nós no comboio a que chamamos a vida

Somos todos casuais uns para os outros,

E temos todos pena quando por fim desembarcamos.

 

Tudo que é humano me comove porque sou homem.

Tudo me comove porque tenho,

Não uma semelhança com ideias ou doutrinas,

Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.

 

A criada que saiu com pena

A chorar de saudade

Da casa onde a não tratavam muito bem...

 

Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo.

Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.

 

E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.

 

4-7-1934

Álvaro de Campos - Livro de Versos. Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.

 
02
Out17

Uma madrugada forçada...

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(imagem retirada da net)

 

Madrugada Forçada 

Nada se ouve. Lá fora a cidade vive entorpecida pela noite que a envolve, fazendo crer que a madrugada tarda em chegar. Ele gostava destas horas em que o silêncio o rodeava. Podia pensar, sobretudo podia ser ele sem se preocupar com mais nada. Sentou-se na mesa que estava em frente à janela e acendeu o candeeiro que estava em cima dela.

A sala encheu-se de uma luz amarelada e doentia que contrastava com a pouca luz que a rua oferecia. Tirou uma folha da gaveta e escreveu duas ou três linhas, sem nexo, mas que ele sentiu necessidade de colocar no papel. Acendeu um cigarro e o fumo fé-lo semicerrar os olhos. Na sala havia, agora, uma névoa de fumo, um silêncio perturbado e uma madrugada forçada.

No entanto, naquele espaço estava alguém que aproveitava a noite, o tempo em que os outros não estavam para ser quem, de facto eram.

Leu duas páginas de um romance inglês e sorriu. Gostava de ler romances porque se divertia sempre. O culto de uma vida perfeita e rósea... Suspirou, não tinha sono e o dia estava, para ele, no auge. Voltou a escrever, desta vez com mais convicção e com demora. Quem o visse teria a impressão de que papel e homem se tinham fundido e que agora eram apenas um. As palavras devoravam-no ou faziam-no nascer...

 

 

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