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Fashion in the bag

Fashion in the bag

30
Nov16

Calipso, amar quem não nos ama?

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                                                            (imagem retirada da net)

Comecei a subir a serra devagar. Contornava as pedras, procurava veredas e a respiração denunciava o cansaço que ameaçava visitar-me. Quando me abeirei do cimo procurei uma floresta que concebia como bela, a acreditar nos relatos que tinha ouvido.

Andei durante muito tempo, mas descobri, não uma floresta, mas um mundo encantado onde as árvores assumiam uma perfeição sem modéstia e a água saciava os campos. No meio do verde habitava um pequeno ajuntamento de pedras e uma gruta.Tentei olhar para dentro da gruta, mas estava muito escuro.

Preparava-me para me virar quando vejo Calipso, atrás de mim, com um olhar aborrecido. Cumprimentei-a, mas ela tentou afastar-me. Fiquei triste, mas nada lhe dei demasiada importância. Continuei a olhar as árvores a água, e a cada passo era a harmonia que me dava a mão e me acompanhava.

Arrumei a garrafa de água, na mochila, e preparava-me para regressar, quando Calipso me agarrou no braço.

Estava despenteada com olhos de choro e pediu-me se podia sentar-me por um instante. Acedi e ouvi-a atentamente. Contou-me que Ulisses estava preso na gruta e que ela tecia e fiava dia e noite para que ele gostasse dela, mas não conseguia. Ele só pensava em Penélope, sua mulher. Aconselhei-a a deixa-lo, mas ela dizia-me que não conseguia viver sem ele. Expliquei-lhe demoradamente  como é difícil obrigar alguém a gostar dela e que fazer isso não demonstrava amor, mas sim egoísmo e mesquinhez. Começou a chorar e voltou para a gruta.

Fiquei à espera um longo tempo alimentando a esperança que ela deixaria Ulisses voltar para casa, mas tal não fez. Ulisses continuou um longo tempo enclausurado com Calipso, mas na sua cabeça e no seu coração só Penélope entrava. A sua prisão era um cativeiro ilusório porque ele nunca estivera, de facto, preso. Ninguém está preso quando ama.

Hermes forçou Calipso a soltar as amarras de Ulisses e ela, arrependida, ajudou-o a voltar a casa. Não se prende quem não nos ama...

05
Out16

Filme que gostei: A Noiva Cadáver

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 Ontem no Blogue do Carlos, ele sugeria, também, um filme do Tim Burton. Na realidade só há um ano comecei a admirar o trabalho deste realizador, convenientemente. E fi-lo precisamente porque vi esta filme e fiquei totalmente rendida. Não apenas pela estória( que é das mais bonitas que conheço,no que ao amor diz respeito), mas por tudo o que fui sabendo sobre o trabalho do Burton. Desde o desenho das personagens, à vida que ele dá a cada uma e também o "brincar" com temas delicados que por vezes nos assustam, mas, acima de tudo, pela "inocência" que ele coloca nas narrativas.

Neste filme, em concreto, fala-se, vive-se e respira-se o conceito do amor, que Burton, vê como o despojamento de egoísmos e insignificâncias. Amar, para Burton, é que querer que o ser amado seja feliz.  Aconselho vivamente este filme!!

04
Out16

O Mundo, Flor de Lótus e o amor

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Ele entregou-lhe um pequeno saco e ficou quieto de olhos postos no chão.Ela pegou-lhe com cuidado e abriu a medo, porque temia que o simples acto de lhe tocar o fizesse desintegrar-se. Para ela receber alguma coisa das suas mãos era de tal forma importante que o acto assumia mais valor do que aquilo que estava dentro do saco. Ainda assim ela olhou para o pequeno embrulho envolto num pano branco e com uma flor de lótus bordada em cor de rosa. Era lindo o embrulho.

Ele continuava com os olhos no chão, temeroso, de que ela o achasse ridículo.

Devagar ela foi retirando o pano branco e descobriu um pano maior e com o formato de um mapa do mundo. Olhou cuidadosamente para ele, mas percebeu que não havia delimitações, todos os países estavam unidos num só. Ficou confusa, não percebeu porque lhe tinha ele oferecido um mundo em branco. Manteve-se muito quieta a olhar a flor de lótus e o pano do mundo.

Aquietando-se com o silêncio dela, ele afinou a voz e disse-lhe:- É um mapa sem fronteiras, um mundo que te ofereço, o meu mundo, onde tudo é teu sem limites. Tu escreves o que quiseres, todos os dias. Serás tu  a escolher os nossos países, os nossos castelos e palácios. Neste mundo o vento entra e sai quando quer e levará tudo o que não for útil. Tudo o que nos fizer infelizes o vento levará, como um pássaro que carrega palhinhas no bico.Esse mapa está envolto numa flor, uma flor especial, que provem do lodo, do nada, para que nos recorde sempre que mesmo no mais escuro dos pântanos é possível encontrar a beleza. Espero que gostes, rematou, e voltou a colar os olhos nas pedras avermelhadas do chão.

Ela, em silêncio, pegou num lápis e desenhou um pequeno coração, no mapa.

-Esta será a única fronteira que existirá, disse. O que estiver fora do coração não pode entrar. Deu-lhe a mão...

 

 

27
Set16

Orfeu e o Amor

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Fechei os olhos e consegui ver, claramente, que Orfeu estava sentado a um canto da sala de baile e as suas mãos afagavam a lira que o Deus Apolo lhe tinha oferecido. Havia uma envolvência intensa entre as mãos e a lira de tal maneira que parecia que a lira e Orfeu eram apenas um. Eu conhecia Orfeu há muitos anos e sabia que todos os que o ouviam ficavam extasiados com o som da sua música e da sua poesia. Ele não era um poeta ele era, o Poeta! As árvores vergavam-se para o ouvir, os animais selvagens paravam e sentiam que a doçura os envolvia.

No entanto; o coração, a música, a poesia e o ser de Orfeu era de Eurídice, parecia-me que tinha sido desde o início dos tempos. Lembrava-me do seu casamento e de como os sons se misturavam com o amor. Tinha ficado enternecida quando Orfeu, perante todos, disse a Eurícide, que não tinha muito para lhe dar, mas que podia contar consigo para além da vida.

No dia em em que Eurícide foi picada; por uma cobra, no meio da floresta e morreu, Orfeu abraçou-me com força e sussurrou-me que tinha de ir ter com ela. Tremi e não duvidei que assim fosse. Ouvi a sua lira, uma vez mais, e percebi que tentava convencer Hades a ir ao mundo dos mortos para resgatar a sua amada. Ninguém resistia à sua música e às suas palavras e com  Hades não foi diferente. Deixou-o ir e uma viagem que se previa de ida e volta, tornou-se definitiva porque ele não resistiu e olhou para trás(coisa que o rei Hades, tinha proibido.)

Orfeu ficou para sempre com Eurícide. Hoje fechei os olhos e ouvi uma lira que cantava o amor...

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