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Fashion in the bag

Fashion in the bag

11
Jul16

Os irmãos são pirilampos?

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 Um dia destes queixei-me a um amigo sobre o facto de, há muito, não ver pirilampos: - Talvez mais de quinze anos, disse-lhe.

-E há quanto tempo não estás no meio do campo à noite, perguntou-me.

Pois... respondi.

Na realidade há muitas coisas que não vemos porque não estamos atentos ou porque não criamos oportunidades para que nos seja possível admirá-las ou, simplesmente, porque as coisas não querem ser encontradas. Um pirilampo, um céu estrelado, só existem se nós quisermos verdadeiramente vê-los e se eles se deixarem ver. Muitas vezes as estrelas escondem-se detrás das nuvens.

Pois bem, mas esta minha lembrança dos pirilampos prende-se com a relação que eu estabeleço entre os "luzinhas" e os irmãos. Para mim um verdadeiro irmão é tal qual um pirilampo que mesmo que tudo esteja escuro tem sempre uma luz para nos iluminar. O negrume pode ser intenso, mas um verdadeiro irmão consegue fazer uma cidade de luz, apenas para que o seu semelhante sorria.Os irmãos crescem juntos e por muito difícil que seja existem elos invisíveis que os unem(e não falo do vermelho que lhes percorre as veias), refiro-me a qualquer coisa de mágico e cândido. É quase como se planassem de mãos dadas, sobre um enorme mar azul; a sua força é de tal dimensão que será impossível que um deixe cair o outro. No entanto: esta ligação, quando não é autêntica, deixa marcas profundas naqueles que a vivem com mais intensidade. Sem que eles esperem um dia deixam de planar e são, literalmente, afogados no tal mar.  Deixamos de conseguir ver a luz porque o outro não quer que ela seja vista. Nesse momento temos os outros irmãos: os irmãos de alma. Estes apesar de não terem características físicas e/ou biológicas ajudaram-nos muitas vezes a crescer e estiveram perto de nós quando a ajuda era premente. Muitas vezes ficam na sombra, porque não querem incomodar, mas mal esticamos o braço lá estão eles prontinhos a fazer-nos ver que não há negrume superior à irmandade da alma. Os "luzinhas", de alma, têm muitas fitinhas vermelhas que nos oferecem para que o sangue corra sobre o cetim e perpetue, para sempre, a nossa aliança. 

Fechei os olhos :- acabei de ver "um luzinha", com fita vermelha a passar. :)

04
Jul16

A alma dos diferentes.

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"A ALMA DIFERENTE

O mundo ainda não aprendeu a lidar com seres humanos diferentes da média.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errado. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. Nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato o que é está diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas. Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o colégio, onde todos os demais andam de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais indelicados), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em "- caramba, fulano, como tu és complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em "- Tu não vês como fazem os outros?"

O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo à sua volta se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que: chora onde outros insultam; quer, onde outros cansam; espera, de onde já não vem; sonha, entre realistas; concretiza, entre sonhadores; fala de leite em reunião de bêbados; cria, onde o hábito rotiniza; perde horas em coisas que só ele sabe importantes; diz sempre na hora de calar; cala sempre nas horas erradas; fala de amor no meio da guerra; deixa o adversário fazer o golo porque gosta mais de jogar que de ganhar; aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual; vê mais longe do que o consenso; sente antes dos demais começarem a perceber; se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Jamais mexam com o sentimento de um diferente. Ele é sensível demais para ser conquistado sem que haja consequência com o ato de o conquistar."

Artur da Távola

27
Jun16

Todos queremos caber dentro da forma?

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Há uns anos estudei a história de um vilão, da mitologia grega(Procrustes), que estabeleceu como desejo o de todas as sua vitimas terem de caber na sua(s) cama(s). Como ele fazia batota e ao invés de ter uma, tinha duas,  é escusado dizer que ninguém conseguia ter as medidas que ele pretendia. Imagino que os inocentes quisessem muito encaixar-se naquelas dimensões até porque o contrário, significava a morte.

Há muitas vezes um desejo enorme de nos embutirmos nas medidas dos outros. Lutamos contra a nossa natureza, duvidamos dos nossos gostos, porque o que interessa é que pertençamos ao que os outros idealizaram para nós. Nessa altura estabelecemos, inconscientemente, um tipo de divisão interna,  a parte "deformada", em luta com a zona que quer caber dentro da forma. Todos os dias esta divisão é acompanhada de risos e de choros, de vazio e de uma ilusória sensação de preenchimento. Com o caminhar dos dias a parte deformada começa a ficar com um reduto cada vez mais diminuído e insignificante, mas continua incessantemente a batalha e respira sofregamente. Durante esse tempo somos ilusoriamente felizes e convencemo-nos de que conseguimos entrar nos limites que os outros estabeleceram para nós. -Se os outros conseguem(pensamos)...

A questão é que nós não somos os outros e a parte "deformada" deixa de conseguir conter-se.

Afastamo-nos, queremos ser diferentes desejamos, secretamente, ser iguais aos outros até percebermos que nunca o conseguiremos.  Nesse momento depreendemos que temos um caminho árduo, solitário e o suor que nos beija as faces, a cada passo, será durante muito tempo, a nossa única companhia. Quando internamente a luta acaba percebemos, por fim, que a nossa forma “deformada” é o que nos caracteriza e é ela que é reveladora da nossa fibra, das nossas falhas, do nosso verdadeiro eu. Não a aceitar é, um definitivo abandono de nós próprios.

 

21
Jun16

Do chá às intermitências da luz

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 Há uns tempos alguém me ofereceu um pacote de chá, já não me lembro de que mistura se tratava, mas que tinha um rótulo que retive: madame a besoin d´énergie(a sra. tem falta de energia). Na altura a pessoa que mo ofereceu deve ter pensado que eu andava cansada e que o chá me iria ajudar. Ele próprio pensou que me ia ajudar, mas passados uns tempos ele estava mais cansado do que eu e nunca mais o vi. No entanto, jamais esqueci do título do chá e volta e meia lá ando com isso no pensamento.

Hoje lembrei-me por causa da relação (ou não) da energia e da intermitência.  Parece-me que há cada vez mais pessoas intermitentes, ou seja, entram e saem da vida umas das outras com uma facilidade que parece que têm uma costeleta de interruptor.

Não sou muito adepta de luzes que acendem e apagam(,nem na árvore de natal).

Luz na verdadeira acepção do termo está sempre acesa. A luz genuína é a primeira coisa que vemos quando o mar está revolto, as nuvens de luto e nós perdidos. Somos capazes de fechar os olhos e mesmo sem olharmos sabemos que, quando os abrirmos, a luz está lá à nossa espera e a guiarmos-nos. Não precisamos de a alimentar porque o seu alimento é apenas um: saber que não nos perdemos.

Não adianta comprarmos chá de energia para estas luzinhas, elas são tão fortes que mesmo quando o seu brilho parece extinto há sempre uma centelha de luz que elas vão buscar ao mais recôndito lugar.

Encontramos centenas de luzes durante a nossa vida, porém luzes verdadeiras encontramos muito poucas.

Já descobriram as vossas luzes?

 

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