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Fashion in the bag

Fashion in the bag

25
Jul18

O pensamento fugia-lhe...

fashion

Esta fotografia de uma mulher sentada à beira de um quebra-mar num porto em Tampa, na Flórida, foi publicada no artigo da National Geographic, “Flórida — a fonte da juventude”, em 1930.

 

A água batia forte na parede de granito creme levantando pequenas ondas com o embate. Ela envergava um vestido preto com um pequeno folho que ondulava a cada movimento da água. Estava sentada na parede com a pernas sobre o mar. Pensava em tantas coisas naquele momento que era difícil responder quando lhe perguntaram em que pensava. Era sempre assim. O pensamento fugia-lhe, ou era ela que escapava quando não queria responder às coisas que significavam. Foi sempre mais fácil ter um pensamento cheio, com mil coisas. Assustava-se quando não tinha coisas em que pensar. Admirava-se quando as pessoas diziam que tinham de descansar a cabeça. Ela era perita em encher a cabeça e em fazer com que ela não descansasse.

Cada vez que lhe perguntavam em que pensava assaltava-a uma alegria inexplicável por quererem saber do que estava para além do visível e do dizível. No entanto, o problema era esse... o dizível... Muitas vezes não conseguia dizer em que pensava e as pessoas ficavam irritadas. Como não sabes em que pensas? - Atiravam ressentidas.

E ela ouvia-se dizer, sem dizer: penso em tantas coisas.

Num campo cheio de margaridas, ou então apenas numa, na brisa suave do fim do dia, num suspiro, num toque, nos seixos frios do rio, numa canção, no abraço do meu pai... em tantas coisas. O estranho é que pensava  nestas coisas no meio de conversas que não eram nada disto. Por vezes conversas com temas sérios, que exigiam respostas sérias e as pessoas irritavam-se, claro que irritavam... e ela não conseguia dizer nada, estava além das suas forças.

O pensamento fugia e as palavras também. Ficava calada, sem saber o que dizer. Sentia um vento forte no campo de margaridas, a brisa desaparecia, o suspiro tornava-se lamento, o toque tornava-se consolo, os seixos magoavam, a música subia de volume e no fim, no final, mais mil novos pensamentos e sempre um abraço onde ela escondia a cara e adormecia.

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