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Fashion in the bag

Fashion in the bag

19
Set16

Real, ilusório, uma bailarina?

fashion

 

 

 

Estava deitada em cima da cama, barriga sobre a colcha azul de algodão e a cabeça de lado. Ela olhava os movimentos precisos daquela pequena boneca que coordenava numa pequena perna, a dança, a magia a delicadeza e a perfeição. Ao seu lado um pequeno príncipe com olhos de vidro que lhe acompanhava os movimentos e impedia, acima de tudo, que não caísse. Ela era a rainha da caixa, mas seria impensável a sua existência, sem que ele a acompanhasse. 

A música continuava enquanto a corda durasse e a pequena caixa não se fechasse. Durante anos ela  pensou na pequena bailarina, fechada na caixa de madeira, acompanhada,  por alguém que lhe evitaria uma; ou duas ou mesmo todas as quedas, que ela viesse a dar. Sonhava com isso, idealizava que a vida era assim. Todos os dias os amigos ironizavam com os seus pensamentos, acusavam-na de ser sonhadora, diziam-lhe que os sonhos eram dos artistas. A vida real, justificavam, era bem diferente. Ouvia e durante muito tempo tentou que esses pensamentos, fossem também os seus pensamentos, mas nem por um momento deixava de acreditar que tudo se resumia a uma caixa de música e a uns braços que sempre a amparariam em caso se tropeção.

Houve um momento, não conseguia precisar quando, percebeu que estava numa dimensão diferente das pessoas que ela conhecia. Sabia mais coisas, conseguia ver para além do que era a corda que fazia a música tocar. Conseguia pressentir que a música ia muito para além do som real, que a conseguia ouvir independentemente de ela estar a ser , tocada, verdadeiramente. Sabia que aquela música da caixa, nem era bem real, porque tinha sido aprisionada dentro de uma caixa e apenas repetia, momento após momento, o mesmo de sempre. Todos os dias sabia de alguém que tinha escolhido a vida matemática, segura, da corda que tocava a música. ninguém quis ser bailarina. Dia após dia pressentia felicidade na vida das pessoas que rodavam a corda da caixa, mas ela acreditava na dança e na bailarina.

Passaram muitos anos até que percebeu que ela sempre estivera dentro da caixinha de música e que era a bailarina que todos diziam não existir...

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