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Fashion in the bag

Fashion in the bag

11
Abr17

A água cristalina e as entranhas escurecidas

fashion

 

 

 (imagem retirada da net)

 

Saiu para a rua o mais depresa que conseguiu. O cabelo desgrenhado e na mão apenas um casaco que agarrou quando passou na entrada. Ouvira tudo, tantas coisas, palavras que a rodeavam, que a atormentavam sem saber o que fazer para que se fossem embora. Viu lentamente a cena, seguiu-lhe o movimento dos lábios, percebeu tudo. Não fora capaz de ficar mais, ficar só para que não se sentisse sozinha, manter-se apenas para que da sua existência fizesse parte uma companhia vazia, e apenas corporea. Passou a as mão pela sua alma sentiu-lhe os recantos; um a um, percorreu-os, deteve-se, continuou, teve medo, saiu e entrou.

Não queria voltar, não iria retornar a um vazio onde era ela, apenas ela. Talvez existisse, também, uma sombra do que ela queria ter. Nunca teve.

Conhecera sempre as entranhas dos outros no momento em que se afastava deles. Aí percebia-lhe o rancor, os negrumes que só se vêm quando se perde. Nesse momento percebia-lhe o avesso e via, quase sempre, o que ela já persentia e negava-se a aceitar.

Só se conhecem as pessoas, verdadeiramente, quando tudo está mal, quando o jogo do faz de conta se extingue e o lúdico da vida se inicia.

Caminhou mais um pouco e debruçou-se sobre a fonte de água corrente e cristalina. Sentiu-a nas mãos, fresca e penetrante. Ficou por ali a ouvir o som a água a bater na pedra e a sentir-lhe a frescura a percorrer os dedos. Não ia voltar....

16
Ago16

As lições que a natureza nos dá

fashion

sun.jpg

 

 

As sementes de girassol foram lançadas na terra castanha e já penteada. A água banhou as sementes, o sol ofereceu-lhes o calor necessário, mas as sementes não germinaram.  Ela olhava todos os dias para aquela terra, que a pouco e pouco se encheu de feias ervas, mas as flores não cresciam. Idealizou como ficaria o campo florido, do cheiro que entraria dentro dela e  que lhe traria a impressão de estar num lugar quase irreal, mas nada disso aconteceu.

A Primavera passou, seguiu-se um quente Verão, o Outono trouxe as folhas secas e mortas, o Inverno a neve e o esquecimento daquilo que seria a imagem perfeita, de um campo  em flor. Assim que a chuva e o frio acabaram foi necessário tirar todas as ervas secas, tratar a terra, pentea-la de novo e oferecer-lhe outros enfeites.

Novas sementes foram lançadas à terra e, de novo, nada sucedeu, para além de um vestido de ervas e paus.

Na Primavera seguinte, desiludida com o  espaço estéril,  não semeou mais nada. Não conseguiu repetir o processo de semear e de saber que não ia colher. Cortou apenas as ervas e continuou a regar o campo. Apesar de não ter nada, não gostava de ver a terra faminta de água. Deu-lhe comida e tratou-a, sem esperar nada em troca.

Não sei explicar a razão porque o fazia, talvez uma noção de dever se apoderasse dela ou então, simplesmente, porque tinha de o fazer. A verdade é que ela o fazia todos os dias, sem esperar, mas ao mesmo tempo sem desistir.

Um dia, sem que nada o fizesse prever, olhou de relance e descobriu no meio do campo, uma erva especial  depois, olhou com atenção, e viu outra e mais outra. Os girassóis, envergonhados, espreitavam, agora  pela janela da terra e olhavam para cima espantados. Ela sentou-se e esperou até que todos estivessem abertos, depois continuou a oferecer-lhes água.

Nunca mais esperou nada, mas continuou a regar, todos os dias, as terras secas que existiam à sua volta.

 

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