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Fashion in the bag

Fashion in the bag

03
Abr17

Ser triste...

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Desde que se conhecia que era triste. Não triste daquelas tristezas de sorriso, ou lágrima ou das de cara fechada ou aberta. A tristeza dela era existencial, profunda e colava-se a si como a pele. 

Por muito que sorrisse ou tentasse enganar-se a tristeza não se ia embora e moldava-lhe os actos, minava-lhe a confiança e fazia-a ser diferente do que era a sua natureza. 

Passeava pela rua, alheia ao que a rodeava, com o lenço azul a esvoaçar no pescoço e a mala, que sempre carregava na mão, como se estivesse em permanente viagem.

Na rua onde ela andava, habitualmente,  parecia não haver mais ninguém, só sons de fundo, indistintos a que ela não dava muita importância. Naquele dia, contudo, houve algo que a trouxe de volta à rua repleta de pessoas, com conversas vivas e sons presentes.

Viu a cara mais triste que a vida já lhe tinha dado ver, sentiu naquela cara a sua tristeza. Viu-o magro encostado a um muro, com uma pasta na mão. Os olhos no chão e o impasse em avançar, ou não. Apressou o andar, chegou perto dele, perguntou-lhe as horas para lhe ouvir a voz.  Demorou a responder talvez porque também ele andasse perdido na rua onde não havia ninguém.

Escutou-lhe uma, a uma, as palavras e confirmou a tristeza dele. Puxou-o para si e deu-lhe um abraço. Ela sabia, melhor que ninguém o que era a tristeza e por isso não podia deixar que ele também a sentisse.

Ele olhou-a desconfiado, mas simultaneamente um sorriso desenhou-se no rosto magro e encovado. 

As pessoas tristes tentam sempre fazer os outros felizes porque só elas sabem o que é ser triste...

08
Mar17

Admeto, Alceste e os egoísmos

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(imagem retirada da net)

 

Estava deitada na margem do rio, bem perto do local onde o rio se torna mar, onde deixa a infância e se torna adulto. O sol estava quente e deixava-me num torpor que me fazia manter deitada. Senti alguns passos e levantei lentamente a cabeça.  Ao pé de mim estava Admeto que me olhava com um sorriso. Sentou- a a meu lado e ficamos de olhos fechados a falar de tantas coisas que é impossível lembrar-me de todas. Admeto era amável com todos o adoravam. Contou-me que Apolo lhe tinha pregado uma partida e se tinha feito passar por um dos seus súbditos para ver como ele os tratava. Como gostara do que vira concedeu-lhe duas benesses: Casá-lo com uma boa rainha e dar-lhe uma nova vida quando estivesse a morrer.

Contou-me que casaria na próxima semana e quis que eu estivesse com ele. O casamento foi lindo, Alceste era bonita e boa. Acompanhei aquele casamento durante anos e havia harmonia e amor. Os dois eram bondosos e todos gostavam deles.

Um dia, porém, Admeto adoeceu subitamente e lembrou-se da promessa de Apolo, de uma nova vida. Apolo confirmou-me e combinou tudo com a Morte. Mas esta perniciosa e matreira, exigiu que alguém morresse para que Admeto vivesse. Todos concordaram que seria fácil, porque ele era tão bom e todos gostavam tanto dele que alguém morreria por ele. A verdade é que nem os pais, nem nenhum dos súbditos se quis sacrificar. Alceste foi aquela que foi ter com a morte e preferiu partir a ficar sem Admeto.

Admeto deixou e todos deixaram que Alceste o fizesse. Os egoísmos ficaram a dançar por entre aquele reino.

 

Hércules comoveu-se com a tudo aquilo e foi resgatar Alceste. Alceste voltou, mas nunca mais disse uma palavra. A visão do outro mundo ou do que se esconde por baixo da pele humana emudeceram-na.

Tinha compreendido que o amor e a morte, a generosidade e o egoísmo, a coragem e a covardia se entrelaçam, são inseparáveis, para formarem essa figura complexa, rica e imperfeita que é todo e qualquer ser humano.

 

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