Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fashion in the bag

Fashion in the bag

03
Nov19

ALICE E O COELHO BRANCO

fashion

 

"Amas-me? Perguntou Alice.
Não, não te amo! Respondeu o Coelho Branco.
Alice franziu a testa e juntou as mãos como fazia sempre que se sentia ferida.
Vês? Retorquiu o Coelho Branco.
Agora vais começar a perguntar-te o que te torna tão imperfeita e o que fizeste de mal para que eu não consiga amar-te pelo menos um pouco.
Sabes, é por esta razão que não te posso amar. Nem sempre serás amada Alice, haverá dias em que os outros estarão cansados e aborrecidos com a vida, terão a cabeça nas nuvens e irão magoar-te.
Porque as pessoas são assim, de algum modo sempre acabam por ferir os sentimentos uns dos outros, seja por descuido, incompreensão ou conflitos consigo mesmos.
Se tu não te amares, ao menos um pouco, se não crias uma couraça de amor próprio e de felicidade ao redor do teu Coração, os débeis dissabores causados pelos outros tornar-se-ão letais e destruir-te-ão.
A primeira vez que te vi fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te até aprenderes a amar-te a ti mesma!"

29
Mar17

Ser pequeno é prender

fashion

 (imagem retirada da net)

Sentou-se na mesa do café que ficava em frente à escola, onde ela trabalhava. Tirou um cigarro e acendeu-o, nervosamente. Sabia o que ela lhe ia dizer, pressentia-o, pelo menos. Desde que ela lhe dissera que tinha um assunto importante para falar com ele, que sabia o que era. Atirou uma baforada para longe e amachucou, com os dedos, o papel da caixa dos cigarros. Sentia-se pequeno cada vez que pensava nela, não porque ela o fizesse sentir pequeno, mas porque perto dela todos eram pequenos. Sabia-lhe a força, descobria-lhe, em cada gesto, a capacidade desmesurada de amar.

Admirava-lhe os olhos brilhantes quando se entusiasmava com um tema. As palavras envolviam quem a ouvia, era impossível que assim não fosse. Ela punha uma tal força e entusiasmo que qualquer tema, mesmo os mais insignificantes ganhavam dimensão. Ela colocava amor em tudo, ela punha-se a si, à sua alma, em tudo o que tocava.

Imerso nestes pensamentos, viu-a chegar, com um vestido verde, elegante, de sorriso na cara e cabelo esvoaçante. Cumprimentou-o com um beijo, pareceu-lhe ainda mais bonita. Acompanhava os movimentos dos lábios e adivinhava as palavras que ele já conhecia, sempre sem ouvir. Invejava-a e estava contente, mais que isso, estava feliz por ela e por ele, mas não conseguia dizer-lhe. Ao contrário tratou de encontrar aspectos negativos, amarras que a prenderiam e não a deixariam voar, algemas que a fariam estar perto dele e não lhe descobrir a fraqueza. Tempos depois, na mesma mesa, percebeu o mal que lhe tinha feito e viu-a tal pássaro numa gaiola. Deu-lhe as chaves e ela convidou-o a voar com ela...

08
Mar17

Admeto, Alceste e os egoísmos

fashion

(imagem retirada da net)

 

Estava deitada na margem do rio, bem perto do local onde o rio se torna mar, onde deixa a infância e se torna adulto. O sol estava quente e deixava-me num torpor que me fazia manter deitada. Senti alguns passos e levantei lentamente a cabeça.  Ao pé de mim estava Admeto que me olhava com um sorriso. Sentou- a a meu lado e ficamos de olhos fechados a falar de tantas coisas que é impossível lembrar-me de todas. Admeto era amável com todos o adoravam. Contou-me que Apolo lhe tinha pregado uma partida e se tinha feito passar por um dos seus súbditos para ver como ele os tratava. Como gostara do que vira concedeu-lhe duas benesses: Casá-lo com uma boa rainha e dar-lhe uma nova vida quando estivesse a morrer.

Contou-me que casaria na próxima semana e quis que eu estivesse com ele. O casamento foi lindo, Alceste era bonita e boa. Acompanhei aquele casamento durante anos e havia harmonia e amor. Os dois eram bondosos e todos gostavam deles.

Um dia, porém, Admeto adoeceu subitamente e lembrou-se da promessa de Apolo, de uma nova vida. Apolo confirmou-me e combinou tudo com a Morte. Mas esta perniciosa e matreira, exigiu que alguém morresse para que Admeto vivesse. Todos concordaram que seria fácil, porque ele era tão bom e todos gostavam tanto dele que alguém morreria por ele. A verdade é que nem os pais, nem nenhum dos súbditos se quis sacrificar. Alceste foi aquela que foi ter com a morte e preferiu partir a ficar sem Admeto.

Admeto deixou e todos deixaram que Alceste o fizesse. Os egoísmos ficaram a dançar por entre aquele reino.

 

Hércules comoveu-se com a tudo aquilo e foi resgatar Alceste. Alceste voltou, mas nunca mais disse uma palavra. A visão do outro mundo ou do que se esconde por baixo da pele humana emudeceram-na.

Tinha compreendido que o amor e a morte, a generosidade e o egoísmo, a coragem e a covardia se entrelaçam, são inseparáveis, para formarem essa figura complexa, rica e imperfeita que é todo e qualquer ser humano.

 

Mais Sobre Mim

A Ler

Palavra da Semana

anguícomo

Segue-me

Follow

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

blogs portugal

Este blogue tem direitos de autor Copyrighted.com Registered & Protected

A ler 2