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Fashion in the bag

Fashion in the bag

13
Fev17

Tantas e tantas metamorfoses

fashion

 

 

 

Sente o barulho da chuva que aperta o vidro da janela e as pedras da calçada. O som é igual a moedas de prata quando caem no chão. Suspira, entediada, ao mesmo tempo que sente as pernas mexerem-se à procura de outra posição.

Na mão tem um livro grande com capa castanha e letras douradas e o desenho de uma borboleta azul de ar cândido e alado. Lê sofregamente cada uma das páginas, os olhos caminham pelas letras ávidos de respostas e de conhecimento, mas quanto mais procura mais longe parece estar do fim. É difícil perceber que na maioria das vezes o fim é sempre um e outro recomeço.

 Mexe-se, uma vez mais, pousa o livro no chão e puxa para si a manta castanha que descansava ao lado do banco.  Pousa por um instante os olhos, na chuva que mansamente desliza pelo vidro e parece-lhe ver uma borboleta por entre os pingos de chuva. Esfrega os olhos, olha de novo, mas não consegue encontrar o que tanto queria.

Os olhos materializaram a sua leitura, pensa e respira fundo. Puxa o livro, mas não lê. Pensa apenas que nunca seria possível que as borboletas existissem se elas não passassem por longas e penosas metamorfoses. A maior beleza que existe numa borboleta é a sua mensagem de luta e a constatação de que à larva rastejante e menor sucede um ser brilhante, iluminado e com asas. Imagina o quão dolorosa é essa passagem, sente os músculos contraírem-se, sente suor e percebe que ela é a borboleta que esvoaçava entre os pingos de chuva.

30
Jun16

Da passagem da larva à borboleta...

fashion

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Há no voo das borboletas, um sinal de cor acompanhado pela graciosidade e pela melodia que as asas provocam quando batem. Sempre gostei de borboletas e a principal razão tem a ver com a relação entre a larva e a borboleta, entre o feio e o belo, entre o sofrer e o voar. Adoro estas dicotomias e aprendo sempre com elas. Por muito que tentemos unicamente sentir, o esvoaçar das asas, é impossível não pensar no que esteve subjacente a este leque de cores e de sedução. Talvez seja isso que torna as borboletas belas. Não o facto de serem assim de maneira inquestionável, mas a sua transformação, a sua luta, a sua pequena vida. As borboletas parecem esquecer o seu passado de larvas e constantemente dizem-nos:- eu agora sou só beleza, delicadeza e cor, o que era passou. Eu transformei-me no que sou. Fiz um caminho, tive um passado, mas agora estou aqui e sou assim. Não há porquês, apenas existência e vida, apenas presente e futuro. Só desafios...

Levantei-me da pedra onde me tinha sentado, de pernas cruzadas, a borboleta amarela assustou-se com o meu movimento, mas rapidamente voltou ao seu passo gracioso. Pousou-me no cabelo, ficou quieta, banhou-se no sol, ensinou-me que um larva pode ser crisálida, mas uma borboleta nunca pode voltar a ser larva.

 

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