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Fashion in the bag

Fashion in the bag

18
Mar18

Poesia

fashion

FERNANDO PESSOA, in POESIAS INÉDITAS (1930-1935), (Ática, 1955/reimp. 1990)

NÃO ME DIGAS NADA! QUE HÁS-ME DE DIZER?

Não digas nada! Que hás-me de dizer?
Que a vida é inútil, que o prazer é falso?
Di-lo de cada dia o cadafalso
Ao que ali cada dia vai morrer.
Mais vale não querer.

Sim, não querer, porque querer é um ponto,
Ponto no horizonte de onde estamos,
E que nunca atinges nem achas,
Presos locais da vida e do horizonte
Sem asas e sem ponte.

Não digas nada, que dizer é nada!
Que importa a vida, e o que se faz na vida?
É tudo uma ignorância diluída.
Tudo é esperar à beira de uma estrada
A vinda sempre adiada.

Outros são os caminhos e as razões.
Outra a vontade que os fará seus.
Outros os montes e os solenes céus.

8-7-1934

26
Jan18

A DAY OF SUN

fashion

 

A DAY OF SUN

 

I love the things that children love

        Yet with a comprehension deep

That lifts my pining soul above

        Those in which life as yet doth sleep.

 

All things that simple are and bright,

        Unnoticed unto keen‑worn wit,

With a child's natural delight

        That makes me proudly weep at it.

 

I love the sun with personal glee,

        The air as if I could embrace

Its wideness with my soul and be

        A drunkard by expense of gaze.

 

I love the heavens with a joy

        That makes me wonder at my soul,

It is a pleasure nought can cloy,

        A thrilling I cannot control.

 

So stretched out here let me lie

        Before the sun that soaks me up,

And let me gloriously die

        Drinking too deep of living's cup;

 

Be swallowed of the sun and spread

        Over the infinite expanse,

Dissolved, like a drop of dew dead

        Lost in a super‑normal trance;

 

Lost in impersonal consciousness

        And mingling in all life become

A selfless part of Force and Stress

        And have a universal home;

 

And in a strange way undefined

Lose in the one and living Whole

The limit that I call my mind,

The bounded thing I call my soul.

17-3-1908

Poesia Inglesa. Fernando Pessoa. (Organização e tradução de Luísa Freire. Prefácio de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Livros Horizonte, 1995.

  - 172.
18
Mar17

Não digas nada!

fashion

 

 

 

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

 

11
Jun16

Cansaço

fashion

cansaço.jpg

 

 

Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

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