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Fashion in the bag

Fashion in the bag

18
Mai17

A Rosalinda...

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Olhava para ela e não entendia a revolta que lhe perpassava o olhar. Era franzina, corpo de adolescente, carregava porém, um semblante duro e sofrido. Ao inicio julguei-a rude, no fim senti-lhe as dores e achei-a magnífica.

Tinha 25 anos. Durante dez anos teve ataques epilépticos em catadupa, ao ponto de o cérebro se "desorganizar" e ficar atrasado relativamente ao "normal" desenvolvimento. Ao início olhava para mim com raiva, afastava-se no sofá e cruzava os braços zangada.

Era a mãe que me falava e se queixava do seu mau humor. Eu sem a conhecer defendia-a sempre. Dizia que ela tinha razão, que era do tempo, ou do trânsito. Desabafava que eu também estava zangada. Ela continuava desconfiada, este desamor durou uns meses.

Um dia a mãe teve de sair mais cedo. Fingi que tinha um rebuçado a mais e que não queria. Sugeri-lhe que ficasse com ele. Tirou-mo rapidamente da mão, com fúria. Não disse nada e fingi-me desinteressada.

-Tenho um gato, disse, zangada.

E o gato foi a palavra que nos uniu, foi a porta de entrada pelo mundo da Rosalinda. A menina com cara de 25 anos, corpo de quinze e de uma alma sem tempo.

Tornou-se minha amiga.

Hoje quando chego chama-me timidamente para me sentar ao pé dela. Por vezes não dizemos nada. Eu não me importo. Outras admiro tanto a sua coragem, a sua força e persistência  que acabo por lhe dizer alguma coisa.

Envergonho-me das minhas queixas e sem ela dar conta, faço-lhe uma festinha na cabeça. Ela zanga-se e eu quase choro. Não sei o tempo que poderei estar com ela, mas tenho a certeza que serão momentos de grande aprendizagem e crescimento interior.

19
Abr17

Da competição ao descanso

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Seated woman - Pablo Picasso, 1927

 

O cabelo balançava para um lado e depois para o outro. Cada passo avançado dava-lhe uma força desmedida para continuar. Não percebia a razão,mas sabia que desde que começasse não mais conseguia parar. Em tudo era assim, como se estivesse em competição permanente consigo.

Sentou-se cansada, pensando já em levantar-se e continuar, mas adivinhou-lhe a presença e deixou-se ficar mais um bocadinho na pedra grande e cinzenta. Sentiu-lhe a respiração, mas fingiu-se concentrada  no movimento das ondas. Longínquas, imperturbáveis as ondas acompanhavam o tempo, as vidas, seguem tudo com uma atenção desinteressada, mas presente.

Ele sentou-se e deixou-se ficar, uma hora, duas, não o sabia. Sentia apenas que não tinha mais que correr, nem que competir. Era tempo de estar bem consigo, era o momento de voltar a casa. Ele puxou-a, sentou-a no colo, ela deixou de lutar contra si e adormeceu.

02
Set16

Frida e a benção da vida...

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frida.jpg

 

Penso que foi há mais ou menos dez anos que uma exibição de obras de Frida Kahlo esteve no CCB. Na altura pouco ou nada conhecia da obra, mas posso dizer que foi sem dúvida as exposições que mais me impressionaram até hoje. Recordo que na altura fiquei bastante perturbada(pela sensação causada, mas também pela grandiosidade do que estava ali)  não me apetecia sair de lá, ao mesmo tempo que tinha um ímpeto para chorar compulsivamente.

Fui três vezes visitar aquela mostra e de cada vez que ia surpreendia-me, sempre.  Muita gente a tentou inserir no movimento surrealista, mas eu percebi, logo na primeira vez que pus os olhos num quadro dela, que o que estava ali era, simplesmente a realidade. Ela própria o afirmou.

Não quero contar a história de Frida, porque é mais ou menos conhecida de todos, mas lembrei-me de que, por vezes, passamos a vida a queixarmo-nos que a vida é dura, é complicada,  que estamos fartos, de que somos gordos/magros.... Não paramos, um minuto para olhar que há vidas bem piores e que, mesmo assim, as pessoas utilizam esse "pior" para fazem o melhor.

Frida foi um enorme ser humano, alguém a quem um acidente ensinou que é possível criar através de uma cama, viver com a dor(de alma e de corpo) e encontrar forças onde elas não existem.

Entre um corpo em decadência e um amor que lhe foge, constantemente, ela encontra na tela o seu propósito de vida e a sua forma de mostrar que é possível, contra tudo, lutar e viver. Hoje lembrei-me muito da Frida... Há muitas Fridas por aí...

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