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Fashion in the bag

Fashion in the bag

03
Out16

Das mãos dançarinas às ruguinhas

fashion

 

 

Caminhava pela rua e aconchegou o casaco de lã, contra si. O frio do final do dia tocava-lhe no corpo e fazia-lhe desejar aquele aconchego que a camisola lhe dava. Respirou fundo e absorveu o ar húmido. Distraidamente estendeu as mãos e pós-se a olhar para elas. Virou as palmas das mãos  e observou de dentro para fora, repetidamente, até parecer que as mãos dançavam. Tentou fixar, uma a uma, todas as ruguinhas que enfeitavam as mãos, fixou os olhos que ficaram quase fechados, para que pudesse observar melhor(fazia sempre isso quando queria concentrar-se em alguma coisa).

A primeira ruga lembrou-lhe os passeios pelos campos, nas outras viu o Pai, o carinho que ele dava, os abraços, os risos com os irmãos, com os primos. Todas estas imagens as via quando olhava para as mãos. Em cada ruguinha estava um bocado da sua vida, uma sensação, um sentimento como que escritos sem tinta, nem caneta: gravados, apenas. Passou os olhos pelos dedos que eram delicados e finos numa tentativa para desligar-se dos riscos gravados, mas os olhos atraiçoaram-na,  voltaram, de novo, para os risquinhos, mais ou menos perfeitos, que lhe cobriam as mãos, como luvas esburacadas.

Soube naquele momento que aquelas marcas nunca desapareceriam e a elas se juntariam muitas outras. As ruguinhas são sinais de vida, momentos, partilhas e todas as mãos têm espaço para mais e mais.

22
Jun16

De Hefesto a quem quer pensar só com os dedos?

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hefesto.jpg

Hefesto (Deus grego do trabalho e dos artesãos) trabalhava meticulosamente e ponderadamente com as mãos. Tudo era ritmo, entrega, esforço e sede de criar. Não havia espaço para um pensamento elaborado e recôndito. Aqui pensamento era movimento, viver era fazer.

As obedientes e afáveis artesãs, que ele pensava  comandar, eram rugosas, hábeis e transmitiam uma tal força  a que era difícil ficar indiferente. Os meus olhos pousaram nelas, detiveram-se naquele movimento contínuo que nos deixa absortos e saudavelmente distantes. O trabalho quando feito com entrega, tem esse poder analgésico, viciante e dá-nos a possibilidade de nos transportar para outra dimensão diferente daquela onde estamos (ou de onde queremos estar).

As mãos pararam, Hefesto sentou-se e o outro mundo, onde entra o pensamento elaborado, abateu-se sobre ele. Olhou demoradamente para as suas companheiras rugosas, atarantado, e percebeu que estava condenado, para sempre, a criar.

Sorriu...

De novo o movimento dos dedos numa cadência bela e perfeita. A partir dali pensaria só através deles...

 

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