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Fashion in the bag

Fashion in the bag

02
Fev17

Bolinhas de sabão...

fashion

O dia amanheceu com um hálito fumegante, aqui e ali os pequenos pingos de água tinham-se transformado em brincos de Cristal. Ela caminhava pela rua de casaco apertado e nas mãos umas luvas de pele castanha. Gostava de olhar para as mãos quando estavam de luvas. Ficavam mais elegantes e esguias.

No calcorreio das ruas, entre árvores e casas, esvoaçavam as folhas e os cheiros.Os sons misturavam-se com as cores e com bolas de sabão que um petiz insistentemente soltava da pequena garrafa azul. Passavam por mim, por vezes de forma isolada, outras agrupadas e acabavam por fenecer contra a calçada parda e rugosa.

Enamorei-me delas e olhei-as como alguém contempla o ser por quem está enamorado: com ternura, curiosidade e espanto. Em cada bolinha translúcida e frágil vi pequenas memórias, descobri pessoas, encontrei todos os dias em que morri e igualmente todos os que nasci.

Olhei para relógios parados e relógios que andavam tão rápido que os ponteiros pareciam querer voar. Assustei-me com as coisas que quis fazer e não fui capaz, não por medo, mas porque talvez não as desejasse assim tanto.

Nas bolinhas de sabão estavam os rostos ternos de quem sempre amei, as mãos que me penteavam o cabelo e as vozes cálidas nos dias longos de praia. Nas bolinhas de sabão que passavam uma, a uma, diante dos meus olhos estavam tantos sonhos e vidas, tantos nasceres e morreres que nem consegui contá-los. Fechei os olhos e as pequenas bolas continuavam esvoaçantes, perdidas no meio das casas e dos caminhos, mas livres e cheias de tanto que nem consigo contar...

23
Nov16

Apagar sorrisos.

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O mar ralhava com as rochas, zangava-se e dava-lhe palmadas vigorosas. Ela estava de pernas cruzadas atordoada com o som que o mar fazia e deixava-se levar por aquela fervorosa discussão, mantendo o olhar pousado no azul e no branco. Seguia o movimento da água, o bailado das gaivotas, o cheiro penetrante que por ali habitava, sentia-se em casa.

Lembrou-se de várias pessoas que conhecia, umas que ainda a acompanhavam, outras que apenas via em sonhos ou em pensamentos. Passavam-lhe pelos olhos, uma a uma, por vezes de forma delicada, outras de forma brusca. Sentia o olhar terno de uns, as palavras amáveis e sinceras de outros, mas não esquecia a maldade e as sombras que também lhe tinham oferecido.

Respirou fundo, absorveu o cheiro do mar, açambarcou-o totalmente e deteve-o o máximo que pode, em si.

Pensou em qual teria sido a pior coisa que lhe haviam feito, não sabia a razão de tal pensamento a visitar, mas a verdade é que sentiu esta dúvida e isso obrigou-a a revirar, por fora e por dentro, o saco das memórias. Por vezes teria querido deitar este saco fora, no fim acabava por sentir um enorme apego a ele, sabia bem que aquele saco era ela, com o avesso e o direito, com remendos e tecidos novos, tudo isto era o que a fazia como era. Por fim lembrou-se do pior que tinham querido fazer-lhe, do pior que se pode fazer a alguém. Os olhos tornaram-se pequenos e cortantes. O pior pensou, com as palavras a formarem uma frase gritante: - O pior, é quando nos tentam apagar o sorriso...

O mar fez as pazes com as rochas cinzentas e ela sorriu, sorriu muito.

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