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Fashion in the bag

Fashion in the bag

17
Abr17

Os livros e as ideias genuínas

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                                  (imagem retirada da net)

 

A mesa estava vestida de cores delicadas e gulosas. Todos sentados faziam navegar as palavras por entre o barulho dos pratos e talheres. Ela estava sentada num banco largo e sorria sempre que alguém lhe perguntava a opinião, mas quando respondia fazi-o sem energia, mais por educação e sentido de dever que por convicção.

As gargalhadas pulavam de boca em boca e ela sentia-se perdida no meio de conversas que não eram dela e ideias que no seu âmago abominava. Desejava que tudo acabasse para se poder refugir no seu livro e num tempo seu. Olhava para trás à procura da altura em que preferia os livros à pessoas, pensava em momentos, em  pessoas, mas não conseguia lembrar-se, o momento exacto, em que preferia a quietude e as histórias partilhadas pelas folhas brancas repletas de ideias e sensações ao invés do som estridente de ideias vazias e palavras vítreas. Percustrava no olhar dos que o rodeavam, tentava ler-lhe a verdadeira essência, aquela que não mostravam. Demorou-se nesta indagação e sorria porque via coisas e más, surpreendentes e assustadoras. Preferia o livo, pensou, por fim. Levantou-se, ajudou a arrumar a loiça e saiu, sorrateiramente, de volta para o seu livro e para as ideias genuínas que ela sempre preferia.

13
Dez16

O que é ser popular?

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 A Morte de Sócrates, de Jacques-Louis David

 

Estava a ler um pequeno artigo sobre a vida na Grécia Antiga, mais ou menos a meio, aparece-me esta imagem, de Jacques-Louis David, que eu já conhecia, mas que mais uma vez me fez pensar sobre a morte de Sócrates. Para quem não sabe Sócrates era um filosofo da Grécia antiga, conhecido por "moscardo" precisamente, porque, aos olhos da maioria ele era incomodativo tal qual um moscardo.

Estava constantemente a fazer perguntas e pior que isso, abalava, aquelas certezas que as pessoas consideram inquestionáveis como sejam o que é ser bom?, justo?, feliz?...

Um dia "incomodou"  demasiado e foi condenado à morte. O momento da morte e do julgamento é um episódio muito bonito  e comovente, porque Sócrates, preferiu a morte à mentira. A mentira seria, para ele, a única forma de morrer.

Posto isto pus-me a pensar na questão da impopularidade e no que torna umas pessoas, em detrimento de outras, mais ou menos populares. Sócrates foi impopular para a maioria, mas haveria razão para a sua impopularidade? Hoje em dia consideramos populares pessoas cujo mérito, acções ou a sua postura estão longe da postura de Sócrates, todavia, ao contrário de Sócrates, são endeusados e seguidos. São Populares. Seguem modas, vazios, nadas e são populares. Cada vez é mais doloroso para mim pensar na morte de Sócrates que estudava e pensava, que dedicou a vida à procura da verdade e do conhecimento e não foi popular e na popularidade que hoje impera.

O que é para vocês ser popular e qual a importância de ser popular?

 

12
Jun16

Chiu vamos calarmo-nos, por um momento?

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Se há filme que eu já vi várias vezes e sempre me deixa desconcertada a cada nova vez que assisto é, sem a menor dúvida, Persona(A Máscara). No meio da complexidade da relação que se estabelece entre enfermeira e doente o que sempre me fascinou( e que é o motivo pelo qual escrevo) prende-se com a postura silenciosa de uma das personagens da história. Uma actriz consagrada decide um dia, calar-se. Este silêncio veste-se de uma espécie de pânico no que concerne ao que é/ou foi proferido. Ela percebe que a palavra é de tal forma poderosa que lhe permite criar vidas sobre vidas(das personagens que interpreta), chegando ao ponto de já não saber qual é a sua, nem qual a sua identidade. Isto é de tal forma perturnador que ela fecha-se em si mesma e emudedece.

Lembro-me que Nietzsche escreveu também, penso que no livro a Verdade e a Mentira no Sentido Extra Moral, que as palavras existiam apenas para estabelecer uma espécie de paz social, mas que, na realidade, não havia um pingo de verdade na linguagem.

Sendo assim é estranha esta relação que temos com a expressão(falada e escrita) porque ela não traduz aquilo que de facto,

 

sentimos, ou então mostra de forma errada. Temos de procurar outros caminhos como sejam a arte e a natureza que sempre nos dão lições de verdade e de beleza. Devemos também perscrutar em nós, no silêncio ruidoso que é o nosso espaço interior,  a "nossa" verdade. Há, de facto, no silêncio e no não dito um regressar ao que de mais puro existe no nosso âmago e que temos, forçosamente, de encontrar. Chiu vamos calarmo-nos, por um momento?

 

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